Gastronomia · Viagens

MARROCOS: cheiros, cores e sabores do Norte da África

Acabamos de voltar da nossa super expedição pela Andaluzia e decidi que o primeiro post sobre essa grande viagem de 45 dias ainda não seria sobre as cidades espanholas que conhecemos e sim sobre a escapada que demos de Sevilha até o Norte do Marrocos. Necessitava urgente contar pra vocês sobre os dias intensos e cheios de descobertas que vivemos por lá!

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Olhos atentos e câmera a postos! É hora de desvendar o Marrocos!!

Uma cultura tão singular, cenários impressionantes, arquitetura diferente de tudo o que eu já tinha visto, cheiros, cores e sabores tão marcantes e a simplicidade e generosidade de um povo que diz muito apenas com o olhar…. Isso tudo e muito mais é o Marrocos!

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Aproveitando a proximidade geográfica, saímos de Sevilha e fomos até o extremo Sul da Espanha, no Porto da cidade de Algeciras, onde tomamos um ferry boat. Atravessamos o estreito de Gibraltar, que une o Oceano Atlântico ao Mar Mediterrâneo e separa a Europa da África, e em apenas 45 minutos chegamos em Ceuta, a cidade espanhola em território africano. De lá foi só atravessar a fronteira terrestre e pronto: adentramos no país número 16 da nossa lista!

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O Marrocos é logo ali… Do Sul da Espanha até lá é um pulo! Apenas 14 km de um ponto ao outro
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Porto de Algeciras-Espanha
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O ferry boat que faz a travessia do Estreito de Gilbratar é gigante!
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Esse ferry era super confortável! Tinha lanchonete e até uma Duty Free!
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África pela primeira vez…
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Ceuta: a cidade espanhola que fica no território africano
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Atravessamos a fronteira de Ceuta e instantaneamente tudo mudou (ou quase tudo!)

Resumidinho assim parece fácil, né, sem muitas complicações, e de fato foi! Tudo graças à ALMANATOUR, agência das brasileiras Carla e Mariana Castilho, que nos levou desde Sevilha num ônibus turístico e prestou um serviço pra ninguém botar defeito e que merece nossa recomendação! O pagamento foi super facilitado, tudo sem burocracias, ônibus e hotéis confortáveis e a guia muito atenciosa e cheia de conteúdo e informações sobre tudo o que víamos por lá. Os procedimentos na fronteira também são todos resolvidos por eles (nem precisamos sair do ônibus).

Se quiser saber mais sobre a agência ALMANATOUR clique aqui…

Agora vou contar tudinho como foi toda essa experiência…

Bem, como eu estava fazendo um curso de espanhol em Sevilha e não teríamos o tempo necessário para conhecer os lugares mais famosos do país (como Marrakesh, Casablanca, Fez e a capital Rabat), decidimos aproveitar um feriado prolongado e conhecer, nessa nossa primeira viagem ao Marrocos, apenas a região das Montanhas do Rif, no Norte, mais especificamente as cidades de Tetuán, Assilah, Tânger e Chaouen.

E o nosso primeiro contato com esse país fascinante começou em Tetuán, a cidade que até 1956 era a capital do Protetorado Espanhol (época em que o Norte do Marrocos era um território espanhol). É lá que se passa grande parte das cenas da série O TEMPO ENTRE COSTURAS (disponível no Netflix), que é baseada no best seller homônimo da espanhola Maria Dueñas, história da qual eu virei mega fã antes da viagem. 😍

Chegamos, demos uma rápida volta pela cidade e fomos direto para um almoço típico marroquino. E que delícia foi nosso primeiro contato com a culinária deles! Foi quando provamos o famoso cuscuz marroquino. Quantos temperos e sabores diferentes, gente! Não conseguiria explicar em palavras pra vocês essa experiência, só posso dizer que foi maravilhosa!

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Chegando em Tetuán…
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Avistando o minarete (=torre) da Mesquita de Tetuán
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Preciosidades arquitetônicas a cada esquina
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Uma das principais ruas de Tetuán
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Provando o gostinho do Marrocos…

Depois fomos conhecer a medina de Tetuán, que é como é conhecida a parte central das cidades árabes, cercada de muralhas e cheia de casas, comércio de todos os tipos e ruas e becos que mais parecem um labirinto! Essa medina especificamente é Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO e é considerada por muitos como uma das mais completas e autênticas do país.

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Detalhes da medina de Tetuán

O segundo dia foi bem intenso e saímos cedo rumo a Assilah, a pequena, simples mas charmosa cidade litorânea, que é uma típica vila de pescadores de origem portuguesa. Ficamos impressionados com as casinhas pintadas de branco, a arte nos muros, a antiga muralha e o artesanato local.

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Foi em Assilah que almoçamos e podemos experimentar pela primeira (e única) vez as cervejas marroquinas, porém aqui vai um alerta: encontrar bebida alcoólica no Marrocos é como buscar água no deserto!!! Sim, porque esse tipo de bebida é coisa rara por lá! Como vocês bem sabem, o país é uma nação mulçumana e, apesar da venda de álcool, não chegar a ser proibida ela é restrita a alguns poucos hotéis, restaurantes e supermercados que são autorizados pelo Rei. Ah, e quando você encontrar saiba que vai pagar caro por isso! Literalmente! Pagamos o absurdo de 3 por uma de 250 ml e 5 euros por outra de 330 ml!!!!💸💸💸Mas valeu como experiência gastronômica e para sabermos que por lá o melhor é ficar mesmo no chazinho de menta, que, definitivamente, é a bebida nacional (as casas de chá no Marrocos são super populares e lotadas de homens 😯, que ficam em volta de mesas, papeando com um chazinho na mão)!

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Depois do almoço (e das cervejinhas!), partimos para Tânger, a maior e mais famosa das cidades que visitamos e que é conhecida como a “Porta da África”, por conta da sua posição estratégica. Ela é considerada a cidade mais ocidentalizada do país e é super cosmopolita, sobretudo porque por muito tempo, enquanto o Marrocos estava dividido entre a França e a Espanha, ela ficou sob administração internacional (até 1956). Foi nessa época que se tornou um lugar queridinho e onde já moraram celebridades mundiais como Coco Chanel, renomados escritores (Oscar Wilde, Truman Capote e Tenesee Williams, dentre outros) e também espiões, o que lhe rendeu o título de “Cidade dos espiões” (por isso foi até cenário de dois filmes do Bond, James Bond: “007 Marcado para a morte” de 1987 e “007 contra Spectre”, o mais recente da franquia, de 2015).

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Tânger é internacional!

 

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James Bond e seus respectivos filmes e cenas gravadas em Tânger

Logo na entrada de Tânger visitamos as Grutas de Hércules, que têm esse nome porque “reza a lenda” que teria sido nesse lugar que o famoso semideus da mitologia grega (o da história dos 12 trabalhos) teria descansado após ter separado a Europa da África. Se é verdade ou não, não tenho como afirmar, mas sei que o lugar é lindo e que meus meninos amaram e “se acharam” os exploradores de caverna!

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Muitos enxergam o mapa da África de cabeça pra baixo nessa rachadura que existe na Gruta. Você também?

Logo após, demos uma paradinha pra ver a praia de Tânger e conhecer o animal que é a cara do país. Já sabem qual é? 🤔

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Tânger Beach
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É claro que o animal que é a cara do Marrocos é o CAMELO!

Em seguida, fomos conhecer o Cabo Espartel, de onde é possível avistar a união das águas do Mediterrâneo com as do Atlântico. Foi incrível estar nesse lugar!

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Cabo Espartel

Já anoitecendo chegamos ao Centro de Tânger, que se mostrou uma cidade surpreendentemente moderna, com mansões dignas de Hollywood, lojas e marcas conhecidas mundialmente, grandes outdoors, Shopping Center, lindas praças, clubes, avenidas largas, não deixando nada a desejar a muitas cidades do mundo, entretanto confesso, gente, que o que eu gostei mesmo por lá foi de conhecer a medina, a parte antiga e tradicional da cidade (virei a “louca das Medinas” nessa viagem!!! 😝).

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Tânger by night
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Pela medina de Tânger…

O terceiro e último dia foi reservado pra conhecer Chefchaouen (que você também pode chamar apenas Chaouen ou de Xexuão), a espetacular cidade azul do Marrocos. Localizada no meio das Montanhas do Rif, se destaca na paissagem por toda sua cor! Dentre as explicações pra pintarem tudo (em alguns lugares até o chão é pintado), a mais famosa delas é que assim eles afastam os mosquitos comuns na região.

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Conhecer Chaouen foi um dos pontos altos dessa viagem e uma ótima forma de se despedir desse país inesquecível! Apesar de ser cheia de turistas, a cidade não perdeu sua autenticidade e é bem tranquila, fotogênica, com um povo bem simpático, sem contar que foi uma delícia caminhar por suas ruelas, visitar a medina (olha ela aí de novo! rs), as lojinhas de artesanato, sentir o cheiro das especiarias e dos sabonetes naturais e provar as delícias locais.

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Os berberes habitam o norte do África e são considerados o povo mais antigo do continente
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Medina de Chaouen

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Marrocos e seus mil gatos. Nunca vi tantos na minha vida! Me pareceram ser bem cuidados, pois sempre tinha água e comida perto deles

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Sabonetes naturais
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O Marrocos é a terra do Óleo Argan
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É com esses corantes naturais que eles pintam as paredes
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Foi em Chaouen que experimentamos o outro prato típico do Marrocos: TAJINE!!!
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A maior riqueza de um país é sempre seu povo!
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Os berberes são muito simpáticos! Estava tirando foto dos meninos e esse senhor pediu pra sair nela (os meninos ficaram com vergonha mas tudo bem! rs)

Antes que eu esqueça de comentar, se você tem curiosidade saiba que no Marrocos eles falam árabe, berbere e francês e nessa parte do país que visitamos, por conta de toda a ligação histórica que eles têm com a Espanha, eles também falam muito bem espanhol. Ah, e a moeda deles é o dirham 💰 (nem precisamos trocar porque eles aceitavam euro na maioria dos estabelecimentos).

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Entenderam? rs

O Marrocos deixou saudades e essa viagem me ensinou muito sobre tolerância, a respeitar o que é diferente de mim, da minha cultura e religião e também quebrou vários paradigmas! Se você sonha em conhecer esse país mas tem medo, preciso te contar que ele é seguro e tem evoluído cada dia mais nesse quesito e em muitos outros. Vi uma nação em franca construção e se modernizando, grandes obras por todos os lados, estradas bem pavimentadas e me senti muito bem acolhida (jamais vou esquecer o carinho deles, em especial com meus dois meninos). Tem seus problemas sociais, obviamente, porém nada que tenha tirado o brilho e a vontade de um dia voltar pra conhecer Casablanca, Fez e Marrakesh (e o Deserto do Saara, claro!). Inshalá!!!!!! 🙏🙏🙏

6 comentários em “MARROCOS: cheiros, cores e sabores do Norte da África

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