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Conhecendo a PATAGÔNIA (Chile+Argentina): roteiro comentado por MARCOS COIMBRA

Se tem uma coisa que eu amo tanto quanto escrever sobre viagens e gastronomia é ouvir os relatos de outras pessoas que se interessam por esses dois assuntos…
 
Geralmente faço isso lendo blogs especializados ou vendo determinados perfis no Youtube, Facebook e Instagram, mas também aprendo muito com meus amigos do universo gourmet e viajo (sem sair do lugar!) com os amigos aventureiros, quando eles postam suas viagens nas redes sociais ou me contam pessoalmente as histórias vividas nesse tempo maravilhoso chamado: “férias”! 
 
Por isso, já tava mais do que na hora de ceder espaço aqui no blog para que outras pessoas, além de mim, escrevam e compartilhem dicas de gastronomia ou de destinos e nos contem o que andam vendo e comendo por esse mundão afora…
 
O blog se chama “O MUNDO POR ALINE”, é bem verdade, porém ter essa coluna chamada “O MUNDO POR VOCÊ” me pareceu uma ideia fantástica!! Por que não, não é mesmo???
 
Então se você quiser contribuir, gostar de escrever um tantinho sobre esses dois temas (não precisa ser muito não!), me mande seu texto pra gente conferi-lo e publicá-lo, encaminhando-o para o email omundoporaline@gmail.com
E o nosso primeiro amigo viajante é o Marcos Coimbra, um apaixonado por viagens que nasceu no Estado do Rio de Janeiro e atualmente mora em Brasília-DF, que já explorou o Brasil e países da América, da Europa e da Ásia. Seus textos e fotos das suas jornadas são incríveis e suas dicas são certeiras e bem detalhadas! Coisa de especialista!!!
Vai lá, Marcos, nos fale tudo sobre a Patagônia, essa região gelada e de dupla nacionalidade (fica parte no Chile, parte na Argentina), que é o destino perfeito pra quem curte natureza, aventura e cenários exuberantes.
Seja bem-vindo ao nosso time e muito obrigada por esse presentão que foi esse roteiro fantástico que você fez!
A partir de agora a palavra é toda dele, pessoal!
                                                                                                                          Abraços,
Aline Souza Monteiro
 
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ROTEIRO DA PATAGÔNIA COMENTADO️ – Por Marcos Coimbra
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Laguna de los Tres – El Chalten – Patagônia argentina (Foto: Marcos Coimbra)
POR ONDE CHEGAR: nesse roteiro optei chegar por SANTIAGO, onde estruturei câmbio e aproveitei pra comprar complementos de roupa e alimentação que foram importantes ao longo da viagem, partindo pra Punta Arenas depois, onde a brincadeira começa a ficar séria. Peguei um voo Latam, mas tendo mais tempo dá pra ir de bus até Pucón, cidade charmosa que abriga o vulcão Villarica e o Parque Nacional Huerquehue, descendo depois pra Punta Arenas e seguindo o roteiro aqui.
MELHOR ÉPOCA PARA IR: entre novembro e fevereiro o frio é menos intenso, devido ao verão no hemisfério sul, apesar de haver chuvas eventuais.
HOSPEDAGEM: fechei a maioria das pousadas e hostels pelo Booking.com, filtrando dados de localização, preço e comodidades oferecidas. Por ter sido usuário, tenho um link que dá desconto para convidados (nos comentários).
DICAS GERAIS: não deixe de levar uma camada de roupa underwear (1ª pele) e uma camada corta-vento (externa ou 3ª camada). Com isso, o agasalho do meio torna-se muitas vezes opcional ou desnecessário, pois o corpo produz calor durante as caminhadas (que é melhor mantido com a 1ª camada), e o vento que aumenta a sensação de frio estará bem bloqueado. A bota não precisa ser impermeável, mas deve ser resistente e confortável. A Decathlon Brasil costuma resolver bem quase todos esses itens. Por mais faminto que esteja, sempre pergunte o preço antes de pedir qualquer comida que não esteja claramente informada no menu. A internet em El Chaltén é fraca, pois é uma internet satélite para toda a cidade e o uso superou as dimensões projetadas. Também não há ATMs pra saques de dinheiro na cidade, no máximo consegues fazer um câmbio no hotel onde estiver (pergunte antes). O ideal é estar lá con la plata que necesites.
PATAGÔNIA DIA A DIA
1º dia: no aeroporto de Santiago tem companhias que vendem o transfer pra cidade em vans por preços tabelados (lembro de ter pago 13000 pesos). Chegando em horário comercial busque ir à calle Agustinas, bem próxima à Plaza de Armas, no centro. Lá você pesquisará as cotações de câmbio de reais ou dólares tanto pra pesos chilenos quanto pra argentinos (se deixar pra fazer câmbio nas cidades menores da Patagônia vai sair machucado da relação).
Pulo do gato: para quem faz o câmbio na cidade de Santiago nos meses de verão é vantagem levar seus reais mesmo. A busca pela nossa moeda nesse período aumenta, o que melhora a cotação e evita que percamos no duplo câmbio via dólar.
Pulo 2: leve um mínimo de dólares pra Patagônia, pois se precisar de mais moeda local por lá é com eles que você fará um novo câmbio. Combine um passeio pro Embalse El Yeso, San Jose De Maipo saindo no dia seguinte pela manhã.
2º dia: acorde cedo e se prepare pro começo do show de belas imagens que este país te proporcionará. O Embalse fica em Cajón del Maipo e ao final apresenta uma região com um vale e um lindo lago do amor com montanhas cobertas de neve ao fundo e um céu de azul limpíssimo. É um belo pé direito pro roteiro inteiro. Caso tenha energia e interesse, dá pra subir no topo do Sky Costanera e ver o pôr-do-sol desde o mais alto prédio na região central de Santiago. Chegando um pouco antes terá condições de se posicionar melhor, pois à medida que vai dando a hora o povo vai chegando. Se estiver com crianças seu filho se sentirá o Simbá em pleno Rei Leão. Lembrando que aqui o sol se põe entre 21:30 e 22h nessa época do ano, então dá tempo de ir tranquilamente caso queira. 15000 pesos.
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Lago Embalse el Yeso-Cajón del Maipo-Chile (Foto: Marcos Coimbra)
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Chile (Foto: Marcos Coimbra)
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Prédio Sky Costanera – Santiago – Chile (Foto da internet))
3º dia: acorde cedo, tome seu desayuno reforçado e tente pegar um city tour ou, para os low cost, acompanhar o grupo do Santiago Free Walking Tour (há uma saída de manhã e outra de tarde, sempre com um grupo em inglês y otro em Español). Tendo um tempinho corra em uma rede de mercados locais e tente achar a PALEOBAR, uma barra leve e super nutritiva, inspirada nos ingredientes da alimentação antiga, mais natural, sem conservantes, com frutas e oleaginosas. A de cacau com amêndoas foi a mais gostosa. Você só entenderá porque comprou essas barras quando estiver no meio da trilha do mirador base Torres. Caso ainda precise comprar roupas de frio o Parque Arauco é um centro de compras do tipo outlet que dá desconto pra estrangeiros e será uma boa opção. Resolvido tudo isso, tome um voo de Santiago pra Punta Arenas, considerada a porta de entrada da Patagônia pra quem ingressa pelo Chile. Vou te dar a dica que ninguém me deu: compre sua passagem de bus de Punta Arenas pra Puerto Natales com antecedência pela internet e economize um táxi até a cidade, pois o mesmo bus que sai da cidade passará no aeroporto pra pegar somente aqueles que compraram com antecedência. Você provavelmente chegará em Puerto Natales no final do dia, mas junte forças pra perder mais um tempo na rodoviária e já garantir o passeio do dia seguinte e a passagem de saída da cidade pra El Calafate (já teve muita gente que teve que aumentar sua estadia porque não conseguiu mais vagas no bus na hora de ir embora, a falta de planejamento tem seu preço). Tente dormir o melhor possível, o dia seguinte será desafiador.
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Vista do avião indo para Punta Arenas-Chile: a Cordilheira de Los Andes (Foto: Marcos Coimbra)
4º dia: acorde por volta das 6h, tome um café reforçado e vá para a rodoviária tomar o bus que o deixará na entrada do Parque Nacional Torres del Paine por volta das 8h. Chegando lá você entra numa fila rápida pra pagar as taxas do Parque + o deslocamento interno até o começo da trilha. No meio da senda tem uma parada estratégica no Refúgio, que é um Hostel com um café em anexo, super caro obviamente, mas providencial. Aviso importante: se você não crê estar bem condicionado para um trekking de cerca 22km (ida e volta), com uma subida íngreme sobre pedras no início e outra um pouco pior no final, não faça essa caminhada ao Mirador Base Torres (ao longo da trilha conheci pessoas que não aguentaram o tranco e desistiram com mais da metade da caminhada feita). Na rodoviária há uma opção de passeio no parque chamada “Full Day”, no qual você avistará as Torres desde outro ponto de vista, com caminhadas curtas e viáveis até mesmo pra quem está sedentário. Feito esse alerta, posso dizer que essa trilha foi a mais punk que fiz na vida, mas também foi uma das vistas mais bonitas que já pude presenciar. Ao final, é como se o êxtase te renovasse tanto que você recupera parte da energia gasta e faz a caminhada de volta pleno de contentamento e realização.
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A caminho do Parque Nacional Torres del Paine-Chile  (Foto: Marcos Coimbra)
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Trilha para o Parque Nacional Torres del Paine (Foto: Marcos Coimbra)
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Parque Nacional Torres del Paine – Chile (Foto: Marcos Coimbra)
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Chegando às Torres del Paine: “We can be heroes, just one day”  (Foto: Marcos Coimbra)
P.S.: se você tiver disposição e quatro dias inteiros aqui recomendo fazer logo o Circuito W, que conta com acampamentos no meio do caminho e tem opção de comprar alimentação inclusa. Neste caso você só levaria uma mochila com as roupas que irá usar.
5º dia: nesse dia tire um descanso merecido passeando levemente pelo centro de Puerto Natales, comprando lembranças ou curtindo o visual pro lago da cidade (o monumento ao vento e o pórtico de entrada da cidade são bem bonitos). Há também a opção de fazer uma cavalgada nesse dia, que acabei não fazendo porque não daria tempo, mas parece interessante =)
Dica gold: vá ao Kawésqar Café e peça uma parrilla mista e um suco de chirimóia. Foi o melhor almoço de toda a viagem e recuperou bem as energias do dia anterior.
Curiosidade: aqui você compra o vinho “Gato Negro” na caixinha no mercado. Melhor vinho “barato” que já tomei na vida ^^
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Kawésqar Café em Puerto Natales-Chile (Foto by Marcos Coimbra)
6º dia: ainda pela manhã pegue um bus em direção a El Calafate. Mesmo esquema de comprar a saída no momento da chegada pra não ficar a pé (não seja cabaço). Mas cuidado! Tentarão te vender a ida pra Perito Moreno na rodoviária com desconto, porém… só valerá a pena se você não for fazer o trekking no gelo, pois só há uma companhia na cidade que faz esse passeio há mais de 3 décadas (Hielo y Aventura) e o traslado do grupo do trekking tem que ser inteiramente com eles. Acomode-se na cidade, conheça o seu centrinho e conheça algo da culinária local.
7º dia: aproveite ao máximo o passeio ao Glaciar Perito Moreno, os diversos pontos das passarelas e o trekking sobre o gelo. O visual é um espanto, e com sorte você verá ou até filmará grandes blocos de gelo se desprendendo do bloco maior e caindo no lago. É um espetáculo da natureza. Fique atento pra não perder os horários das vans que levam desde a saída das escadas do Glaciar até o estacionamento, onde os buses aguardam os visitantes pra ir embora. As chances de se perder no horário diante de tanta beleza são do tamanho do bloco de gelo. Para repor disso tudo a parrilla no Don Pichon ~ El Calafate é uma boa pedida, embora um pouco cara, mas o visual e a comida compensam (não é todo dia que se está em Calafate).
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De barquinho até o Glaciar Perito Moreno-Argentina (Foto by Marcos Coimbra)
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O melhor viewpoint do Glaciar (Foto by Marcos Coimbra)
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Trekking no Glaciar (Foto: Marcos Coimbra)
8º dia: como você já está com sua passagem devidamente comprada (o planejamento sempre é recompensado), tome seu café da manhã e siga cedo pra cidade de El Chalten, a capital nacional do trekking na Argentina. Considero fechar o roteiro com chave de ouro: as trilhas são abertas, gratuitas e bem sinalizadas, a cidade é minúscula, porém aconchegante, charmosa e barata pros padrões da região.
9º dia: a trilha mais bela e difícil de se fazer em um só dia é a de Laguna de los Três, vulgo senda FitzRoy. Um pouco mais fácil que chegar em base Torres, um pouco menos longa, porém exige igual preparo e disciplina. Prepare uma mochila de 10 litros com uma garrafa de água pequena (no caminho há várias fontes naturais, tanto aqui como em Torres), com barras de Nuts, frutas práticas e oleaginosas como nozes, castanhas e amêndoas, além de protetor solar, óculos de sol e papel pra soar o nariz. A paisagem da Laguna é tão bela quanto a de base TDP, é até difícil eleger uma preferida.
Dica gold: contorne a lateral esquerda da Laguna até o fim e descubra o pote de ouro azul intenso no final atrás do monte 😉.
Trilha pra Laguna
Trilha para a Laguna de los Tres-El Chaltén-Argentina (Foto: Marcos Coimbra)
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Laguna de los Tres (Foto: Marcos Coimbra)
Pulo do Gato Laguna de Los Tres
Laguna de los Tres (Foto: Marcos Coimbra)
10º dia: pegue leve e vá conhecer os Miradores de Las Águilas e de Los Condores, que oferecem um visual belo e amplo com uma trilha leve. Se tiver animado o suficiente dá tempo de ir até a cachoeira Chorillo del Salto tranquilamente, embora fiquem em sentidos opostos em relação à cidade. Faça um pela manhã e outro pela tarde, ou deixe o Chorillo pro dia seguinte.
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Miradores de Las Águilas e de Los Condores-El Chaltén-Argentina (Foto: Marcos Coimbra)
11º dia: se você ainda tiver tempo e disposição, a trilha do Loma Del Pliegue Tumbado dá um panorama geral do conjunto de montanhas nevadas que formam a geografia da região (é um big Picture).
Com mais dias, você pode optar por ir até Ushuaia e fechar o ciclo patagônico clássico. Por tudo o que pesquisei, vi e ouvi, preferi aumentar minha estadia nas cidades acima e não passar em Ushuaia (sou da tese de que às vezes menos é mais, e passar muito tempo se deslocando é passar menos tempo aproveitando os lugares que são mais importantes pro seu perfil de viajante).

DICAS GASTRONÔMICAS DA CIDADE DE EL CHALTÉN

(na minha ordem de preferência quanto a atendimento, qualidade e custo x benefício)

Panaderia y Cafetería Lo de Haydee: perfeito pra cafés, sucos da fruta, vitaminas, omeletes, sandubas, doces e lanches em geral. Queria ser vizinho deste café simples, acolhedor, com preços honestos e ótima qualidade em tudo o que serve.

B&B Burguer: tem opções de burguers ótimas e um suco de limão de alta qualidade.
Chalteños: alfajor de chocolate com doce de leite é um abuso (comprem a caixa logo que sai mais barato). Aproveitei pra comprar um doce de leite argentino. Há vários outros doces e também chás específicos das frutas e ervas da Patagônia.
La Oveja Negra: parrilla tradicional argentina pra um dia de muita fome.

Um comentário em “Conhecendo a PATAGÔNIA (Chile+Argentina): roteiro comentado por MARCOS COIMBRA

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